** Análise do referendo constitucional na Guiné: em direção a uma transição autêntica ou ilusória? **
21 de setembro de 2025 poderia marcar um ponto de virada na história política da Guiné, com um referendo constitucional recentemente anunciado pela Junta Militar no poder. No entanto, essa iniciativa levanta mais questões do que fornece respostas. Em um contexto em que as promessas da junta geralmente resultaram em decepções, torna -se crucial questionar as motivações reais por trás dessa nova data e as possíveis implicações para a democracia na Guiné.
### um passado esmaltado com promessas não usadas
O projeto do referendo não é novo. A junta, liderada pelo general Mamadi Doumbouya, prometeu repetidamente envolver o país a caminho de um retorno à ordem constitucional. Primeiro, um compromisso foi feito para uma transição rápida, pontuada por um prazo em 31 de dezembro de 2022, que não foi respeitado, levando a uma onda de insatisfação e manifestações em Conakry, a capital. Esse clima de aumento da desconfiança das autoridades militares foi alimentado por acusações de prisão arbitrária e repressão de votos dissidentes.
### Situatiooin político complexo
O próximo referendo não será capaz de obscurecer o contexto complexo em que está registrado. Desde o golpe de 2021, os líderes militares manipularam habilmente a legitimidade popular, jogando insatisfação geral com a corrupção e a má governança. No entanto, sua incapacidade de cumprir os prazos estabelecidos fraturou o frágil vínculo de confiança que os uniu à população. Grandes usuários de discurso sobre a urgência das reformas, hoje parecem ficar presos no labirinto de um poder que eles mesmos moldaram.
### O dilema das mudanças constitucionais
As modificações constitucionais e a estrutura do referendo aumentam a questão da vontade real da junta de permitir um retorno à democracia. Entre as principais mudanças propostas estão o estabelecimento de limites de mandatos presidenciais e a possibilidade de incluir membros da junta na raça eleitoral. Esse último ponto parece particularmente paradoxal, já que a junta havia inicialmente estabelecido uma “Carta de Transição”, especificando que seus membros não poderiam aparecer nas eleições.
Essa dissonância sugere uma manobra política, onde a abertura para uma competição eleitoral poderia ser usada para legitimar a presença da junta e apaziguar a oposição sem realmente dar -lhe os meios para influenciar o processo político. Em outras palavras, talvez seja uma tentativa de manter um equilíbrio precário entre compromissos eleitorais e aspirações populares, preservando o controle militar sobre o funcionamento do poder.
### Uma comparação com outros contextos africanos
A situação da Guiné lembra casos semelhantes através do continente africano, onde regimes militares ou semi-autoritários realizaram reformas constitucionais com resultados mistos. Veja o exemplo do Zimbábue Pós-Mugabe: também, os atores militares mantiveram um controle sobre o poder, apesar das eleições. Os resultados das reformas dificilmente levaram a uma melhoria na governança, mas fortaleceram as estruturas de poder através de uma fachada de legitimidade democrática.
Da mesma forma, no Sudão, o processo de transição democrática foi dificultado por uma luta contínua do poder entre os militares e as facções civis, lembrando que o caminho para uma democracia real não é apenas pavimentado com referendos, mas acima de tudo do sincero desejo de mudança.
### Conclusão: a expectativa de uma mudança autêntica
O referendo de 21 de setembro de 2025 poderia representar uma oportunidade única para os guineanos reivindicarem a arquitetura democrática que desejam. No entanto, esse processo só será válido se combinar transparência, inclusão e respeito pelos direitos humanos. A vigilância da sociedade civil, organizações internacionais e atores políticos persiste como um imperativo para garantir que essa transição – se for realizada – não é percebida como uma manobra simples para fortalecer o poder da junta.
A Guiné está em uma encruzilhada perigosa, e o caminho que abre antes que possa levá -lo a uma democracia autêntica ou, pelo contrário, a uma fachada ilusória de liberdade. A única constante continua sendo a aspiração do povo da Guiné para um futuro mais brilhante, longe dos obstáculos do poder militar. No final, surge a pergunta: a junta está pronta para dar controle para o bem comum, ou continuará jogando o jogo da democracia enquanto fortalece sua captura no estado? É nesse cenário político incerto que o futuro da Guiné toma forma.