** Comunicação nos tempos de guerra: um desafio estratégico para a RDC **
Na quinta -feira, 27 de março de 2025, o Ministro da Comunicação e Mídia, Patrick Muyaya, para falar durante um dia científico na Universidade Omnia Omnibus, em Kinshasa. Sua intervenção, focada no problema da comunicação em tempo de guerra, faz parte de um contexto em que a importância da narrativa se torna crucial, especialmente para a República Democrática do Congo (RDC) enfrentada por conflitos complexos em sua parte oriental. Se a luta pelo controle de histórias e discursos é frequentemente citada em muitas disputas de conflito, a situação única da RDC, ancorada em sequelas históricas, merece uma análise aprofundada que vai além dos discursos usuais.
### ** Uma guerra narrativa à luz da história **
Durante seu discurso, Patrick Muyaya declarou uma observação inequívoca: a guerra que ocorre no leste da RDC tem suas origens em eventos trágicos, em particular o genocídio de Ruanda. De fato, esse período da história deixou cicatrizes indeléveis. Mas o que isso significa para a maneira como a RDC pode construir uma narrativa alternativa diante de discursos dominantes de fora, especialmente de Ruanda?
Para medir o impacto dos relatos históricos nos conflitos contemporâneos, podemos nos referir ao conceito de “memória coletiva”, que desempenha um papel fundamental na maneira como as comunidades percebem e percebem o outro. As contas transmitidas de geração em geração não apenas na percepção interna das identidades nacionais, mas também nas interações cruzadas. Nesse sentido, o manejo consciente da narrativa é vital não apenas para a reconciliação interior, mas também para a construção de um diálogo construtivo com os países vizinhos, principalmente Ruanda.
### ** Desconstrução de discursos manipulados **
No coração de sua intervenção, Muyaya denunciou o que chama de “Império da Lie”, governado pelo presidente da Ruanda, Paul Kagame. Essa afirmação levanta uma questão fundamental: quais são as verdades e mentiras subjacentes às histórias que circulam dentro e ao redor da RDC? Uma análise rigorosa dos argumentos apresentados por Ruanda – em particular as questões de refugiados, discurso de ódio e FDLR – mostra que é crucial abordá -los com evidências tangíveis. Por exemplo, as estatísticas sobre viagens forçadas e o número de refugiados na RDC devem ser contextualizados dentro de uma política de migração regional global, em vez de serem simplesmente instrumentalizados.
### ** O papel primordial da mídia no conflito **
Em sua intervenção, o ministro também sublinhou o papel estratégico da mídia na administração do conflito. Isso levanta uma reflexão profunda sobre como a mídia tradicional e digital pode ser mais do que vetores de informação simples; Eles podem se tornar atores ativos na construção de uma narrativa coletiva. Em um mundo onde as informações circulam a uma velocidade deslumbrante, a mídia congolesa está em uma encruzilhada onde sua responsabilidade ética é posta à prova.
Um estudo recente de Fatshimetrie.org revela que 78% dos entrevistados congolês acreditam que a mídia desempenha um papel essencial na construção de sua identidade nacional. Mas essa confiança deve ser recíproca e acompanhada de uma responsabilidade por parte da mídia para fornecer análises em profundidade, com base em fatos. A consciência da desinformação, portanto, torna -se uma necessidade, mas um imperativo moral.
### ** Estratégias de comunicação emergentes **
As iniciativas apresentadas pelo ministro Muyaya, como a autenticação de fontes, a conscientização dos cidadãos e a adaptação das mensagens, são quase revolucionárias em uma paisagem onde a batalha também ocorre nas redes sociais. A capacidade de se comunicar efetivamente em plataformas como Twitter e Tiktok pode ser explorada para formar uma geração de jovens jornalistas e comunicadores que dominam a arte de contar histórias na era digital.
Também é essencial examinar a dinâmica das redes sociais que, para melhor e pior, moldam a consciência coletiva. Os “neo-sociologistas” que Muyaya menciona são muitas vezes vozes poderosas neste espaço, mas também podem semear confusão. Uma campanha educacional sobre o uso crítico das redes sociais pode ajudar a restaurar a confiança do público na mídia tradicional e energizar o cenário da mídia.
### ** para um domínio coletivo da narrativa congolesa **
Em conclusão, a mensagem do ministro é endereçada a todos os congoleses: a necessidade de assumir o controle de sua narrativa histórica e contemporânea é imperativa. Isso não deve se limitar a um slogan, mas se tornando uma cultura nacional real. A RDC, rica em sua diversidade cultural, deve abraçar uma história que inclua todas as suas vozes e experiências. Esse relato, longe de ser inequívoco, deve ser articulado para distinguir a sociedade civil das escolhas políticas de seus líderes, enquanto cultiva o respeito mútuo entre as nações.
Essa nova dinâmica também pode servir como trampolim para dedicar um novo futuro à diplomacia congolesa, estabelecendo uma comunicação mais bem -sucedida e se posicionando como um transmissor essencial de histórias verdadeiras, equilibradas e construtivas na região. Para uma nação que, por muito tempo, passou por dores de histórias distorcidas, essa introspecção coletiva pode constituir o início de uma mudança significativa.